CES Las Vegas – O verdadeiro interface Homem-Máquina

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Em mais de meio século a CES cimentou o seu estatuto de maior feira de eletrónica de consumo do mundo. Em 2019 volta a ser evidente o crescente número de vasos comunicantes com a indústria automóvel, enquanto esta se vai alargando para uma dimensão que tem mais a ver com a de fornecedores de mobilidade do que unicamente da venda veículos. Audi, Mercedes, BMW e Toyota voltaram a estar em destaque.

A Feira de Eletrónica de Consumo (CES) invade “a Cidade do Pecado”, Las Vegas, EUA, como sempre nos primeiros dias de cada ano; em 2019 de 6 a 11 de janeiro; e nesta edição com mais um passo no sentido da transformação do conceito automóvel em tecnologia de transporte.
Pode não parecer importante, mas esta alteração conceitual vai ser cada vez mais uma realidade conforme já reconhecida pelos principais fabricantes de automóveis. A Byton está na vanguarda da tendência e parece muito perto de cumprir os planos (o que é pouco comum numa start-up automóvel…) revelados há um ano aqui na CES. Carsten Breitfeld, Presidente e fundador, explica-me no final na conferência que abriu o ciclo de conferências da CES 2019 que acredita que a Byton vai ser “o momento smartphone” da mobilidade o que, dito de outra forma, significa que, tal como com os telemóveis inteligentes, haverá um antes e um depois da sua chegada ao mercado.
Há três anos, a empresa Accenture fez um estudo nos EUA que revelou que, para 39% dos cidadãos que acabavam de comprar um carro novo, o tipo de conteúdos “conectados” já tinha sido mais importante do que qualquer outro factor (cor do carro, design, marca ou motor incluídos). Hoje, a tendência intensificou-se e é facilmente admissível que, com o progresso que este setor viveu deste então, as decisões formatadas por esses conteúdos de conectividade estejam já em maioria. As previsões de aumento da inclusão de tecnologia que permite que, diariamente no automóvel, utilizemos a internet, ouçamos a nossa música, pesquisemos todo o tipo de informação por comandos de voz, comuniquemos com outros carros e com a infraestrutura, ouçamos e-mails, o carro se estacione/”conduza” de forma autónoma, ou que o próprio carro avise o condutor sobre perigos na estrada ou problemas mecânicos – entre muitas outras possibilidades – prova que este é o setor da indústria automóvel que tem hoje mais potencial de crescimento. Em tempos como estes, em que a crescente população urbana do planeta (passou de 1/3 da humanidade em 1960 para metade hoje e com perspetivas de chegar a 2/3 em 2050) gasta uma grande parte do seu tempo ao volante em engarrafamentos, com controlos de velocidade cada vez mais restritivos e em que os limites do progresso tecnológico do hardware (chassis, motores – com exceção da propulsão elétrica) já não têm muito por onde evoluir, é de esperar que seja cada vez mais o software a marcar diferenças.
Neste contexto, não surpreende que, na feira de 2018, os visitantes (todos profissionais) ligados à tecnologia automóvel constituíssem já a quarta categoria mais representada (entre mais de duas dezenas) e muito perto da mais popular (computadores hardware/software), sendo também um setor que ocupa uma das áreas mais extensas em toda a feira: o Pavilhão Norte do Centro de Convenções de Las Vegas. E onde voltámos a ter este ano vários representantes da “velha escola” da indústria a partilhar essa área com alguns dos novos protagonistas, como a Byton, que aqui apresentou o seu primeiro protótipo no primeiro dia do CES de há um ano. Mercedes-Benz, Audi, BMW, Toyota, Honda, Hyundai-Kia, Nissan, Fiat-Chrysler e Ford dispuseram de stands próprios com mais ou menos espaço, mais ou menos novidades, notando-se uma vez mais o atraso das marcas norte-americanas em mobilidade elétrica e conetividade. Curiosamente, não houve nenhum orador-estrela (“keynote”) oriundo desta indústria em 2019, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos (tivemos a Volkswagen, a Mercedes-Benz, a Ford, Nissan e a General Motors desde 2013).
txt_Joaquim Oliveira (em Las Vegas)
geral@automag.pt

 

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