Ao Volante duplo: Espaço – tempo

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Lexus LS 500h Luxury • 359 cv • 250 km/h • 149 150€
                                       VS
Mercedes-Benz S400d • 250 cv • 250 km/h • 124 800€

O novo contra o velho mundo: os dois mais sofi sticados seis cilindros em universos paralelos. De um lado o mais evoluído híbrido a gasolina que persegue a economia do Diesel; do outro, o mais moderno dos Diesel quase a roçar na perfeição sonhada da suavidade e performance dos gasolina. Tudo envolto no que de melhor se faz em berlinas de luxo.

Nenhum dos dois modelos precisa de grandes apresentações, por razões diferentes. Os Lexus fizeram história por, em apenas 30 anos, redefinirem conceitos como o da fiabilidade e da atenção suprema ao detalhe e à qualidade. A indústria automóvel japonesa consolidou a sua história sobre a fiabilidade e durabilidade dos seus produtos, os melhores do mundo neste ponto. Mas mesmo lá em cima, continuam a diferenciar-se por patamares: nos píncaros das marcas japonesas está a Toyota; acima dessa, a sua marca estandarte, a Lexus, e no topo desta, o modelo LS, o seu porta-estandarte, a gama que estreou a marca há três décadas. Este LS tem uma nova plataforma e chega a Portugal numa única configuração, que encerra os maiores desenvolvimentos técnicos da marca: grupo motopropulsor híbrido constituído por um V6 a gasolina auxiliado por motor elétrico alimentado por bateria de lítio, resultando numa potência combinada de 359 cavalos e 350 Nm; tração integral com dupla caixa de velocidades e suspensão pneumática com elementos de três câmaras. Tudo isto, e muito mais, cabe no LS500h porque já não há versão curta e longa, só esta, a maior de sempre, sobre a nova plataforma GAL: generosos 5,24 metros de comprimento, mas elegantes, porque o LS foi rebaixado em todas as superfícies, está mais esguio e, como se nota, muito mais arrojado, tendo herdado as notas estéticas que a Lexus tem refinado na última meia dúzia de anos. Com a promessa de tanto espaço, faz sentido que, antes de mais nada, nos sentemos lá trás. Pode parecer banal, mas é muito mais raro do que se pensa, principalmente nos modelos de luxo, que disfarçam bem a aplicação de couro sintético. No Lexus toca-se, exclusivamente, em pele verdadeira, escolhida entre as mais perfeitas (só 1% das peles curtidas estão aptas para o LS, diz a marca), e, na suavidade, nota-se. Aliás, sublinhe-se que no LS500h as grandes opções para especificar o carro estão centradas no tipo de pele (ainda mais suave, com mais desenhos, trabalho de estampagem e costura), e nas madeiras aplicadas: tipo, cor e origem, todas em folha verdadeira. É a escolha do material, das cores e dos acabamentos que podem fazer variar o preço do LS em quase 50 mil euros. Portanto, é algo que merece ser visto com detalhe, “saboreado” sem pressa, nuns generosos 90 cm úteis de espaço para pernas, mais de um metro se o banco dianteiro não estiver em uso, fruto dos 3215mm de distância entre- eixos. Há espaço, portanto, para uns fantásticos bancos reclináveis (até 48º) com extensor para pernas e 22 posições à escolha. Por baixo do corpo, um imenso conforto, com o carro parado ou a andar, em qualquer tipo de piso. À volta, um mar de detalhes (e não faltam ondas) no desenho das portas, dos bancos, dos puxadores. No LS, porque as formas e as áreas são tão generosas, há uma relação muito direta entre o impacto criado no habitáculo e a escolha de cores e a combinação de acabamentos; tudo sempre rodeado de uma imensidão de qualidade, mas para gostos muito diversos. É melhor, portanto, passarmos para sentidos mais objetivos, à frente, ao volante. A funcionalidade da eletrónica, dos ecrãs e dos menus nunca foi um prato forte na Lexus, e o LS continua a não ser exemplo, até porque a marca já faz melhor noutros modelos. De resto, o filtro que se aprecia atrás, atenua o entusiasmo à frente. O LS é um devorador de quilómetros, de autoestradas, de maus pisos, de lombas, de distâncias… e de emoções. É um carro enorme que se conduz com muita facilidade mas com pouca envolvência. Nada comparável ao Mercedes S400d, pelo menos. O alemão não tem couro verdadeiro e o espaço atrás tem “metade” da amplitude – esta é a versão curta, já que a Mercedes continua a vender o S em dois tamanhos. E também só tem tração às rodas traseiras, sendo o 4matic outra das opções. Mas ainda assim, ou talvez por isso, os argumentos dinâmicos do S400d relembram porque é esta a referência de sempre nas berlinas de luxo. Especialmente na arte de combinar dinâmica ativa, a condução, com dinâmica passiva, o conforto. Nisto é um equilíbrio sem igual, até porque os modos de condução ajustam de forma notória a suspensão. O Lexus, mesmo em Sport+, privilegia o conforto, com menos controlo de carroçaria em andamento rápido; o Mercedes é um pouco menos flutuante na faceta de tapete voador, mas muito mais firme e incisivo nos modos dinâmicos, e isto enfatiza a alma do novo motor de seis cilindros Diesel. Que motor. Sempre cheio de força, só não bate a marca dos seis segundos porque a descarga de binário nas rodas traseiras quebra a aderência dos Pirelli Pzero no arranque. O Lexus não tem esse problema, e nem precisa de mais do que os Bridgestone na versão… Turanza T005, lá está. A tração integral, por um lado, e a progressividade do sistema híbrido, por outro, garantem um arranque que é muito mais rápido do que parece quando confrontamos as sensações com a explosão de energia do seis cilindros Diesel do S400. Basta atentar nos números das nossas medições para fi carmos espantados com as… semelhanças dos dois carros. O Lexus, como utiliza relações convencionais de caixa automática na 1ª e 4ª acompanha o 0 a 100 km/h do Mercedes, perdendo menos de 0,1 segundos, mas tem um maior hiato nas recuperações explicado pelo maior “escorregamento” da transmissão epicicloidal que liga as relações intermédias do Lexus face à caixa de 9 reais do Mercedes. Afi nal, o que melhor define o luxo? O espaço, o tempo, o artífice?
txt_Sandro Meda | smeda@automag.pt

Lexus LS 500h Luxury

 

Mercedes-Benz S400d

 

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