Ao Volante: De olhos rasgados

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Citroën C5 Aircross 2.0 BlueHDI • 180 cv

Já está à venda na China desde o ano passado, mas o novo Citroën C5 Aircross só chega a Portugal em janeiro de 2019. Valerá a pena a esperar? Pelo que nos foi dado a ver neste primeiro contato, o maior dos SUV da marca tem argumentos para cativar os clientes e deixar a concorrência de olhos em bico…

Apesar de cumprir, em setembro, o primeiro ano de comercialização no mercado chinês, o C5 Aircross só chegará à Europa em dezembro deste ano estando disponível para os compradores portugueses em janeiro de 2019. Este hiato deve-se, segundo a Citroën, à necessidade de adaptar o novo SUV feito com base na plataforma do primo 3008 às exigências dos compradores do velho continente e, segundo a sua presidente, a britânica Linda Jackson, a uma estratégia seguida pelo grupo de apresentar uma novidade por ano em cada um dos grandes mercados onde estão representados. Assim, à Europa coube acolher em primeira mão o C3 Aircross, pequeno crossover que os chineses só agora irão conhecer. Voltando ao C5 Aircross, e face à versão “chinesa”, os SUV destinados ao nosso mercado recebem os três bancos individuais atrás, que podem ser rebatidos, reclinados e regulados longitudinalmente, e uma gama de motorizações que abarca dois Diesel e dois gasolina. No patamar dos 130 cv temos o 1.2 Puretech e o 1.5 BlueHDI, enquanto nas variantes mais potentes de 180 cv podemos optar pelo 1.6 Puretech ou o 2.0 BlueHDI.
As versões de acesso são associadas a caixas manuais de seis velocidades, já as de topo vêm com a automática EAT8 Aisin. Excluídas estão, pelo menos até à chegada da variante PHEV (60 km de autonomia em modo elétrico) prevista para 2020, as versões de tração integral. O mesmo se aplica aos sete lugares, nicho que a presidente da marca afi rma ser preenchido pela Grand C4 Spacetourer (ex C4 Grand Picasso). Reforçando a aposta na eletrização da gama, Linda Jackson afirma que os objetivos passam por ter o primeiro Citroën 100% elétrico também em 2020 e garante que, até 2023, 80% dos modelos da marca do duplo “chevron” serão híbridos ou elétricos, números que subirão para os 100% em 2025. Outro dado curioso é que todos os modelos híbridos terão associados motores a gasolina o que deixa antever que até 2025 os Diesel terão um fim à vista… Enquanto isso não acontece, o C5 Aircross irá continuar a confiar neste tipo de motorização para ajudar a Citroën a atingir os ambiciosos planos de crescimento que prevêem um aumento das vendas da ordem dos 30% até 2020, para um total de 1 600 000 unidades/ano comercializadas globalmente. Mas os argumentos do C5 Aircross não se esgotam na gama de motores ou no desenho muito próximo do Concept Car mostrado em 2015. O conforto, como é apanágio da marca gaulesa, é uma aposta assumida. Como no recém chegado Citroën C4 Cactus, o C5 Aircross também dispõe dos amortecedores com “batentes” hidráulicos e os bancos com espuma de duas densidades, mais suave no revestimento inicial (15 mm) e mais densa no núcleo. Em relação à suspensão, o princípio de funcionamento é o mesmo do Cactus, mas devidamente adaptado a um SUV que pesa mais 300 kg anunciando uns generosos 230 mm de altura ao solo, o valor mais elevado do segmento. No curtíssimo trajeto que percorremos, o C5 Aircross sente-se como um Cactus insuflado, embora não tão bamboleante como este. O interior parece resultar de uma espécie de “downgrade” do DS7, com a instrumentação digital e o ecrã central tátil de 8” a darem a nota de modernidade. Uma palavra ainda para a capacidade da mala que pode variar entre os 580 e os 720 litros, dependendo da configuração escolhida para os bancos traseiros. Os preços para o mercado nacional ainda não estão finalizados, mas os valores não deverão andar muito longe dos 28 000€ para a versão 1.2 Puretech, 31 000€ para o Diesel de 130 cv e 40 000€ para o mais potente 2.0 BlueHDI de 180 cv.
txt_Rui Reis | rreis@automag.pt

Veredicto: 8
O curtissímo contato dinâmico serviu apenas para confirmar o conforto dos bancos e a versatilidade do habitáculo do novo C5 Aircross, mas o que nos foi dado a perceber, e a promessa de um preço competitivo deixam antever, será o sucesso comercial do SUV gaulês. A estética apelativa e uma alargada gama de motores, encabeçados pelo 1.2 PureTech e o 1.5 BlueHDI de 130 cv, são a cereja no topo do bolo.

 

 

 

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