Teste da Semana: O sexo forte

0
273
Fotos: Paulo maria / INTERSLIDE

Seat Arona 1.6 TDI DSG

Não se deixe enganar pelo traje elegante, pelo porte menos avantajado, pela suavidade da caixa “automática” ou pelo tom rosado da pele, este Seat Arona 1.6 TDI DSG é um dos SUV mais apelativos do seu segmento e capaz de deixar a concorrência em sentido.

Este Arona junta uma série de atributos que agradam ao público feminino e não, não estamos a falar apenas da cor, um Magenta Mystic (500€) que fi ca algures entre o rosa pálido e o dourado e que fez furor entre as senhoras que se cruzaram com o pequeno SUV da Seat durante o ensaio. Falamos de um segmento em pleno crescimento e que reúne muitos adeptos, ou adeptas, entre as mulheres, aliciadas pela posição de condução dominante, pela paz de espírito nas deslocações urbanas (a maior altura ao solo permite menos preocupações com as lombas, passeios, crateras e afi ns), mas também pelo desenho e, muito importante, pela caixa “automática”, um extra que reúne um número crescente de fãs. Mas porquê esta preocupação pelo público feminino, será o Arona um SUV de mulher? Não, mas estas têm uma posição vincada na decisão de compra, partindo delas, muitas das vezes, a palavra fi nal na escolha entre duas ou várias opções. No caso do Arona 1.6 TDI DSG o objetivo de agradar a “gregos e troianos” parece ter resultado em pleno. A plataforma MQB A0, que já tinha dado boas provas no Ibiza, permite uma excelente relação entre as dimensões exteriores (4,13 metros de comprimento)
e o espaço habitável, que fi ca acima da média do segmento. A bagageira, com uns anunciados 400 litros de capacidade é outro ponto a favor, estando ao nível (ou mesmo acima) de um pequeno familiar. Este bom aproveitamento do espaço disponível reforça as aptidões familiares do Arona que, assim, serve os intentos de quem procura um segundo carro para o agregado familiar, mas também pode muito bem ser o único automóvel de um família jovem. O facto de ser mais alto e ter boa amplitude de abertura das portas também facilitam o acesso ao habitáculo e a colocação de cadeiras de criança, por exemplo, outro argumento que as “mamãs” valorizam.
IBIZA É MUSA INSPIRADORA
O interior, que não esconde a inspiração no Ibiza, também é um bom exemplo de sentido prático e pragmatismo. A principal nota de “cor” é dada pelo generoso ecrã tátil de 8” (de série tem apenas 5”) que serve o sistema de infotainment e que permite, entre outras coisas, aceder às várias funções do computador de bordo, à navegação, às App da Seat ou controlar o sistema de som Beats Audio que, para o nível de preço a que é proposto (500€) é uma boa surpresa. Também é possível selecionar os modos de condução, mas há uma tecla de acesso direto a essa função colocada na consola junto à caixa DSG e ao travão de mão. Por falar nisso, este mantém um funcionamento mecânico, uma solução cada vez mais em desuso, embora perca relevância num automóvel de caixa “automática”. Neste caso trata-se da DSG (dupla embraiagem) de sete relações que serve de alternativa à caixa manual de cinco relações a qual equipa de série este 1.6 TDI de 95 cv. A opção pela DSG7 implica um investimento de 1400€, um valor que, na nossa opinião, vale cada cêntimo pela facilidade de condução e conforto que proporciona. De caraterísticas maioritariamente urbanas, o Arona é um palco de eleição para fazer brilhar uma transmissão com estas caraterísticas. A frio, a caixa de dupla embraiagem ainda revela algumas hesitações, especialmente se optar pelo modo Sport que prolonga o recurso à mudança inferior, mas assim que a transmissão atinge a temperatura ideal de funcionamento as trocas de relações realizam-se de forma fluida e quase impercetível. E isto mantendo a rapidez e decisão reconhecidas à DSG as quais ajudaram a cimentar uma imagem que ainda hoje perdura. Outro dado a reter é que, fruto do maior númerode relações (7), os consumos medidos são invulgarmente baixos. A 90 km/h é possível manter valores inferiores aos 4 l/100 km e mesmo em ambiente urbano o Arona 1.6 TDI contenta-se com menos de 6 litros por cada 100 km percorridos. Nos habituais trajetos casa-emprego-casa, com um misto de estrada e cidade, o computador de bordo do Arona 1.6 TDI de 95 cv estabiliza em torno dos 5,4 l/100 km, uma média muito atrativa.
ESPREMER O “SUMO” AO 1.6 TDI
As prestações são outra boa surpresa. Ninguém espera que um pequeno SUV com 1300 kg de peso e 95 cv de potência (o que resulta numa relação peso/potência de 13,9 kg/cv) obtenha valores recordistas, mas os 11,2 segundos registados nos 0 a 100 km/h não envergonham ninguém. E o mesmo se aplica às recuperações, com a DSG a tirar pleno partido dos 250 Nm de binário e da “energia” do 1.6 TDI em baixos e médios regimes. Acima das 3500 rpm, o quatro cilindros Diesel perde o fôlego, mas também não é esse o objetivo de quem adquire o Arona, muito embora o excelente chassis e a eletrónica bem “afi nada” permitem bons momentos de condução ao volante do SUV da Seat. O eficaz controlo de movimentos de carroçaria, a direção precisa e direta q.b. e o tato dos comandos são caraterísticas herdadas do Ibiza e que nem o facto de o Arona ter 191 mm de altura ao solo (um valor elevado para o segmento em questão) afeta o comportamento. Por falar nisso, a unidade ensaiada conta com jantes de 18”, uma opção (650€ em conjunto com os perfi s de condução Seat) que valoriza a componente estética, mas que prejudica de forma evidente o conforto de rolamento. Na nossa opinião, deve optar antes pelas jantes de 17”, por resultarem num melhor compromisso entre design e dinâmica. Além de aproveitar para poupar uns quantos euros, um argumento que num pequeno SUV com pretensões a ser económico ganha um peso acrescido.
O PREÇO A PAGAR
Ainda assim, os 30 000€ pedidos por esta unidade que ensaiámos, e que inclui 2000€ em extras, estão longe de ser uma pechincha. É verdade que a lista de equipamento já é muito completa e inclui elementos invulgares como os estofos em pele e alcantara aquecidos, a navegação, os faróis Full LED ou as referidas jantes de 18”, mas por este valor já consegue adquirir um Ateca 1.6 TDI de 115 cv com o nível de equipamento intermédio (Style), embora tenha de se “contentar” com uma caixa manual de seis velocidades. Dá que pensar… A outra solução pode passar por optar pelo nível de equipamento Style do Arona 1.6 TDI DSG (desde os 25 416€), o que implica uma poupança de 2700€, embora o faça à custa de boa parte do equipamento de série e do requinte a bordo. Mas se for esse o “sacrífi cio” a fazer para conseguir comprar o mais pequeno dos SUV da Seat não nos parece que venha daí algum mal ao mundo, já que os restantes atributos dinâmicos e as mais valias oferecidas pela caixa de dupla embraiagem mantêm-se inalteradas.
txt_Rui Reis|rreis@automag.pt

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here