O Secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. D’Oliveira Martins, confirma a renegociação do contrato de Parceria Público-Privada com a Brisa.
“Foi criada uma comissão de negociação do contrato [com a Brisa]”, afirma Guilherme W. D’Oliveira Martins ao Jornal Económico. Numa longa entrevista, publicada hoje, que abarca assuntos como a ferrovia e o novo aeroporto, o Secretário de Estado das Infraestruturas confirma a renegociação do contrato de concessão de autoestradas com a Brisa.
“Há muito por fazer, por trabalhar, nomeadamente, troços que não foram construídos, e uma revisitação das obrigações, por parte da Brisa”, afirma o governante, garantindo que as negociações “não demoram menos que um ano”, até porque “este é o maior dos contratos e, sem dúvida, tem de demorar o seu tempo.
A renegociação do contrato de concessão de PPP com a Brisa não inclui apenas a infraestrutura. A Auto MAG sabe que um dos pontos em cima da mesa, introduzido pelo Governo, tem a ver com as classes de portagens. O Governo pretende alterar a altura limite à vertical do eixo dianteiro – medida que agora determina a classe do veículo – de 1,10m para 1,30m, mas esta pretensão de São Bento tem encontrado oposição da Brisa ao longo dos anos.
Um dos motivos que terá intensificado a pressão sobre o governo para uma renegociação do contrato com a Brisa foi a possibilidade da PSA encerrar a fábrica de Mangualde, que produz os modelos CItröen Berlingo, Peugeot Partner, Rifter e Opel Combo. Segundo fonte da PSA, a unidade de Mangualde produziu em 2017, 53 600 veículos e o mercado nacional absorveu 12% do total da produção, sendo a Berlingo o modelo do género mais vendido em Portugal. Como os novos modelos, baseados na nova plataforma da PSA, são mais altos que o 1,10m do limite da Classe 1, o grupo francês colocou a hipótese de deslocalizar a fábrica, já que manter a produção, em Portugal, de modelos cujas vendas podem ser afetadas devido às classes, não faz sentido em termos económicos.
A fábrica de Mangualde introduziu, em abril passado, um terceiro turno de produção, criando mais 225 postos de trabalho.


